Crítica: ‘Sangue ruim’ é a melhor coisa da novela Sangue Bom

getImageObj.aspx  e1367454111338 Crítica: Sangue ruim é a melhor coisa da novela <i>Sangue Bom</i>

Giulia Gam como Barbara Ellen, destaque de Sangue Bom (Foto: Frederico Rozario/TV Globo)

Nova novela das sete da Globo, Sangue Bom quer dizer “sangue ruim”. A ironia e a crítica ao politicamente correto e ao “mundo das celebridades” foram o melhor dos três primeiros capítulos.

O texto de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari não perdoa nem a classe C, a quem tem de conquistar, já que a nova classe média é metade da audiência.

“Ahaha, parece que hoje em dia todo mundo está mirando na classe C”, diz uma sem graça Amora (Sophie Charlotte), entrevistando Bluma Lancaster (Xuxa Lopes) para seu programa de TV.

“Eu considero praticamente uma missão social oferecer aos emergentes da zona norte o melhor do melhor”, responde Bluma, responsável por um novo empreendimento imobiliário no bairro paulistano da Casa Verde.

Em um folheto do empreendimento, misto de prédios de apartamentos com shopping, Bluma se refere aos vizinhos como “economicamente prejudicados”.

Isso é ironia pura. Na verdade, ela quer dizer “pobretões”.

Mas Sangue Bom não bate de frente com a classe C o tempo todo. O mocinho Bento (Marco Pigossi) é a classe C que deu certo. Bonito, trabalhador, empreendedor, bom filho (adotivo), faz paisagismo, toca uma loja de plantas, é sócio de uma cooperativa de produtores de flores.

Bastidor vira novela

Enquanto constroi delicadamente as tramas românticas dos protagonistas jovens, alguns deles ex-órfãos, Sangue Bom carrega em um humor metalinguístico, que tira onda do próprio universo das novelas.

Barbara Ellen (Giulia Gam) é uma atriz talentosa. Há muito tempo, ela roubou noivo de Irene (Deborah Evelyn). Roubou também o papel de protagonista que Irene faria, já que o noivo era o diretor da novela. Os bastidores das novelas viraram novela.

Hoje, Barbara Ellen está casada com um ator metrossexual com idade para ser seu filho. Ela lamenta não ter aceito o papel de Carminha (que faria bem melhor) emAvenida Brasil por causa dele.

Jonathan James (Pablo Morais), agora está fulo porque lhe ofereceram um papel de gay na novela das nove. A assessora o aconselha a pegar o pepel, porque “dá prestígio”, rende “mídia”. “Se tiver beijo gay, então, você vira ídolo”, alfineta Maria Adelaide, ops, Kevin da Silva (Marcus Rigonatti).

Mas Barbara Ellen acaba de descobrir que o marido a trai com uma mulher-fruta, um “meteoro de silicone” (Ellen Roche). “Se ainda tivesse me trocado por uma participante de reality show”, murmura Barbara.

A personagem de Giulia Gam é uma Angelie Jolie tropicalizada, “uma salvadora das criancinhas do Terceiro Mundo”. Tem quatro filhos adotivos, mas rejeita a natural, Malu (Fernanda Vasconcelos). Prefere a esnobe Amora. Foi buscar um de seus filhos na África. Kevin é branquérrimo, mas ela se refere a ele como “um legítimo afro-descendente”.

A crítica ao politicamente também aparece (ou se esconde) na escalação do elenco. Dos 60 atores que aparecem no site da novela, só quatro são negros ou têm origem negra _e dois interpretam empregados domésticos. Nem na escola de samba da casa verde tem negros.

Então o marido de Barbara Ellen cai do cavalo e morre. No enterro, a repórter Sueli Pedrosa (Tuna Dwek) entrevista as celebridades. Um deles, ex-reality show, se diz muito amigo do morto. E olha que eles se conheceram a apenas uma semana. A morte também não comeve Barbara Ellen. A ela só interessa não sair na imprensa como a viúva traída.

Sangue Bom promete.

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